sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

IV

Espero pelas 22.00 para apanhar o comboio.
Para além do frio e da escuridão daquela noite de inverno, eu era o único naquela estação.
O comboio era pequeno, pequeno de mais para as dezenas de pessoas que o ocupavam.
Como sempre, fiquei junto à janela, para olhar a perfeita escuridão, à procura das suas imperfeições.Naquele dia foi diferente, voltei-me para o interior podre daquele comboio...
No fundo da carruagem, no meio de tantos anões e ratazanas apenas um único anjo.
Pergunto-me se esteva lá todas as vezes que andei naquele comboio ou se seria a primeira vez...
Mas isso agora não tem a mínima  importância, apenas que o frio que quebrava os meus ossos tinha desaparecido.
Passei o resto da viajem a olhar o fundo da carruagem, até ao final, até ao momento em que abriu as suas assas de penas negras e voo.
Quando se transformou na escuridão do infinito, o frio voltou a quebrar os meus ossos...

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